quarta-feira, 27 de maio de 2009


memorial niemeyer, niterói, rj, brasil

PSIU!

Hoje é só um alô pra ver se algum dia você me olha, mesmo de esgelha.
Não quero andar no telhado quebrando telhas, muito menos te acordar a um hora dessa!
Então fica assim tudo profundo, pro fundo um túmulo negro azul e cinza. Fica assim pró forma.
Mas todo o tempo estive falando de amor.

terça-feira, 19 de maio de 2009

SE EU QUISESSE FALAR COM DEUS

Às vezes fica chato demais essa coisa de ficar ficando falando de amor e amor e amor. Na verdade, o melhor não é falar de amor e sim fazê-lo.


Então vou falar de outra coisa chatissima: vamos falar de deus.

[ E ainda que a cultura do planeta determine que não há um deusinho só mas muitos, multiplicados em dezenas, talvez centenas de nomes, ainda há de haver sempre um imbecil que, com o poder de presidente (mesmo que por acaso) da república, ordene se imprimir em todas as cédulas de dinheiro desta nação brasileira: “Deus Seja Louvado”. Acho eu que melhor seria, para esta nação tão multitudo, que não se falasse nada disso em notas de valor. Mas se fosse grandissíssima mesmo a vontade devota desse cara, senador do Amapá hoje em dia, que fosse generoso como um maribondo de fogo, atingindo a todos nós, e marcasse a história: “Que Todos Os Deuses Sejam Louvados”. Seria justo, segundo a Constituição, e não ridículo como abandonar o povo do Maranhão e sua residência. Quem abandona seu lar vive na rua dos outros. Nega seus endereços e o seu único destino é um inqualificável sumidouro.]

Mas na verdade, ou na mentira, o papo é outro: o pop astro é deus.

“O que faz o homem sobre a Terra? Luta para neutralizar o acaso.
Eis a principal necessidade humana: driblar o imprevisível, a bala perdida.
Concebemos Deus justamente porque buscamos nos proteger da bala perdida.
Deus é a providência que elimina o acaso. É o antiacaso.
Gostaria de acreditar, mas não acredito.
Uma pena... Poucas crenças podem ser mais reconfortantes do que a fé em Deus. Ele enche de sentido as nossas vidas sem sentido.
Eu não sou cachorro, não!, cantava o Waldick Soriano, lembra? Uma frase sugestiva, já que os homens realmente não se veem como cachorros. Os homens anseiam uma condição sublime.
Não à toa, inventaram Deus: para que Deus os criasse.
Se você pensar direito, todas as coisas abstratas ou concretas que a humanidade constrói têm a intenção de dar significado à vida — e, não raro, um significado especial.
Nós, que frequentemente praticamos atos injustos, inventamos a justiça.
Por quê? Porque desejamos ser melhores do que somos e tornar menos insolúvel o mistério de viver.
A arte surge pelo mesmo motivo.
Nenhum poema, de nenhum poeta, me parece imprescindível.
Dante Alighieri poderia não ter escrito A Divina Comédia. Ou poderia tê-la escrito de outro jeito.
Novamente: tudo se subordina à lei do acaso e da necessidade”.
Ferreira Gullar.

E são claros os acasos e as necessidades.

Mas aguarde: os deuses tendem a serem justos assim como os vulcões, os ladrões, os amantes e os tsunamis.
Por isso mesmo, meu amor, somente me olhe nos olhos e me ame, e finja que mente bastante e me diz que não vai porque ali na esquina é muito distante...............


marco/19.05.2009.

domingo, 17 de maio de 2009

VERDE ESPERANÇA

Há coisas tão sutis e ao mesmo tempo absurdamente arrebatadoras.
Nunca hei de esquecer de que te beijar sempre foi uma das maiores delícias que provei na vida. Até mesmo melhor que aquele melhor sexo que tenho lembrança. Se foi com você não sei, não tenho lembrança, mas provavelmente também pode ter sido.
Mas o beijo, o beijar, o se envolver no jogo da linguagem, da salivagem, dos dentes e olhos que se abrem e fecham, relaxam e apertam, no fogo das vermelhas gengivas. Beijo é uma coisa quase genital. E é genial. Que animal inventaria coisa melhor? Outros bichos sabem se lamber – e nós também – mas além de rir, o ser humano é o único animal que beija.
Que profundamente beija para demonstrar seu carinho e seu desejo.
Um dia, na vida, gostaria de voltar a te beijar. Como sempre foi, quando foi bom: sem pressa e cheio de sabor. Mas sei que uma coisa é a recordação do perfume e outra é suspirar ao sentir o seu palpável cheiro e odor.
Há coisas tão flagrantes e ao mesmo tempo absurdamente sabotadas.
Como um amor que não se entrega somente porque diz que já sofreu demais, como se sofrer não fosse um sinônimo óbvio a mais.
Mas um dia, tenho verde esperança, ainda, de novo, te beijo.
E a plenitude me virá.



m.17/05/2009

LAMENTÁVEL

Perder é uma lástima inevitável. De tudo perde-se, inclusive os lábios que se afinam com a idade, perde-se dentes e cabelos, a cor dos pelos, numa insana sequência até perder-se a vida.
Perder-se dentro da vida então, é coisa mais que comum e diária demais mas não menos lastimável.
Perdi paixões, dinheiro, tempo, sonhos. Mas quando perdi amor sempre foi a maior dor e o maior lamento. E a gente perde como se fosse uma obrigação de destino em um jogo que não se escolheu jogar. E a solução, dizem, é se conformar: fique cego ou tetrapégico, sem conseguir comer com as próprias mãos ou defecando em suas calças. Fique assim por que ainda lhe resta a sagrada vida.
É a esse conformismo que eu mal não consigo, e a cada vez mais, me adaptar.
Perdi, novamente, um amor maior de minha vida.
Fora a frase piegas, totalmente samba canção, a dor é verdadeira, cruciante, lamentável. Por isso, de vez em quando, re corro a reler um meu poema já antigo, rogando a são vinicius de moraes que me dê mais que luz, o seu samba de bênção.



VINICIUS NA BAGAGEM

poeta, me ensina
sua mágica.
me ensina a receita,
não para viver um grande amor
mas para viver sem tê-lo.
me explica o rito de passagem
do casal à solidão
do carnal ao sonho etéreo
de um corpo e seus sorrisos
e dengos de amor
quando o que vejo hoje
são cantos vazios e
pela casa encostados alguns retratos,
eletro-domésticos,
cacos
de poemas
começados em outro estilo,
em outro vínculo com a vida.
ai, a vida, poeta!
não fosse tanta bagagem perdida
e mais porvir, e mais por perder,
ninguém resistiria ao primeiro
amor desfeito
e destruiria o próximo
como a si mesmo.
poeta,
se encarna em mim e
me prepara para a paciência,
para abnegação, para
amar também as fezes e não
só a mesa farta,
o corpo belo,
a boa palavra.
para que a poesia sobreviva
mesmo que a alma desespere
e o corpo se torne vão.



Hoje, desde cedo, soube que é tarde demais.

marco. 17/05.2009


terça-feira, 12 de maio de 2009

VÔO CEGO

Eis que então, diante de nossos olhos, surge a canção Vôo Cego, de Paulo Ciranda e Marco Valença, ilustrada com fotos de marco. A letra pode ser lida na postagem anterior a esta.

Hoje peço que nossos olhos sejam mais ouvidos.

Quem me dera ter o olfato e o paladar e ter o tato para ser todo, meu amor aqui e agora, em meus cinco sentidos.

marco/12.05.2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

QUEM TEM OLHO É REI

Me olho no olho e desde sempre
colho aquilo que escolho
E seco e molho o menino e as meninas dos olhos
E rio e choro acidentes fascinantes e desastres medonhos
Me olho no olho e desde sempre
Sou um cachorro sem dentes
Um pródigo sem nascente
Um protótipo inconseqüente
Um falso cão sem dono.
Me molho nos olhos
Mas no que transpiro
Também evaporo.
*
Mas te sussurrando ao pé do ouvido ao ombro do olhar: há algum muito tempo creio que de todas as canções que já escrevi, esta com música de Paulo Ciranda (abraço, Parceiro!) não sei de que data, é o meu maior espelho:

VÔO CEGO

Sei
Muitas vezes foi assim
Desisti ou fui por ir
Outras tantas nem tentei

Sei
Quantas chances que não vi
Fiz que não, fingi que sim
E no fim, nem...

Eu sei que deixei
A vida correr
Por todo esse tempo
Feito um projeto
Só de sobras de obras
Que nunca
Que eu me completo

Eu sei que voei
E a vida se fez
De nuvens de areia
Feito um deserto
Quantas vezes foi pra mim
Um vôo cego
Tantas vezes me perdi
Num vôo cego
Toda a vida é pra mim
Um vôo cego


p.s.: fico devendo o áudio.

CUSTO E BENEFÍCIO / CUSTA E BENEFICIA


Olho no olho tá difícil até
de conversar com meus espelhos,
com os focos das lentes de meus óculos,
com meu tímido umbigo,
com os meus grisalhos pentelhos.
Mas a vida segue, simples e complexa,
d’hoje e d’antanhos;
minha íris olha só o pires branco
não o teu olho verde;
mas a vida serve: de coisa alguma
ou de nada um pouco,
de porra nenhuma ou de coisa pouca,
de sério sujeito ou de louca porra.
Mas a chuva seca e a torrente jorra;
folha que floresce quando a raiz podra.
Justo que maduro o amor se ignora,
só porque perdeu causa e consciência,
então esqueceu porta e moratória,
sem ter paciência, pena e lenimento, sem rever memória.
Mas a chuva torna e a corrente medra;
folha que esverdeia quando a raiz torra.
Justo que adulto o amor não adora,
só porque venceu data e permanência,
então pereceu por não mais história,
sem ter mais ciência, clima e alimento, segue sem vitória.

E a vida segue mas tá difícil costurar meus artifícios de amar.
Olho no olho eu te digo
– embora seja sempre seqüela a sequência bela de te olhar:
Felicidade eu não vivo mas tão infeliz eu não estou.
E nem sei o que prefiro:
Se quero ser um vivomorto ou o morto vivo que sou.
E tudo é custa do amor, e tudo questão de dúvida .
Quem não amou de paixão, quem não chorou suas dívidas?




m. 06/05/2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

MOSAICO

Olho no olho, hoje, só posso te dizer:
Se faz espelho, me olha, me diz pra gritar socorro!
FOI MAIS

ainda bem
que sobrou
e não faltou
ainda mais
se foi mais
e não menosprezou

ainda bem
que foi bem
não maldição
ainda mais
se foi mais
muito mais
que uma só canção.



uma letra de música para Paulo Ciranda.

marco. 02/05/2009.
MEDALHAS


Palavras do poeta Paulo Leminski que tem música de Itamar Assumpção.
Ouça a canção cantada por Zélia Duncan no disco PréPósTudoBossaBand.


DOR ELEGANTE

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que o valha

Ópios, édens, analgésicos,
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Ela é tudo que me sobra
Viver vai ser a nossa última obra

marco.05.05.2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

TE VELO: SOU UM VELEIRO.

Como não tenho te olhado, nem você a mim
como não tenho me molhado nem de saliva de beijo nem de batom de carmim
como me tem assaltado a chuva e a solidão e a penúria de amor e o desespero dos ventos
e me atropelado o destempero do tempo, feito mar tenso, se derramando nas praias e causando ruínas.
Como não tenho me olhado bem, nem mal, e nem você a mim, segue um texto de alguém, que nem sei onde está, mas que suas palavras estão em mim:


Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa de vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.



Antonio Cicero
UM TEXTO

Já que não tenho publicado quase nada nos últimos tempos, vai aqui um texto do senhor Caetano Emanuel Vianna Teles Veloso:
*
“Acho que hoje em dia não sei mais explicar.
Acho que nunca soube.
O que é que faz seu espírito eleger uma mulher pra você?
O que leva você a olhar no olho dessa mulher
e dizer pra si mesmo: isso é alto astral,
aconteça o quer que esteja acontecendo,
esse olho castanho sempre me fará bem?
Que ponto é esse do amor, para além das emoções do amor,
das vãs paixões humanas,
para além das dificuldades objetivas de se construir
um companheirismo genuíno entre um homem e uma mulher?
Que ponto é esse que parece se mostrar invulnerável
aos feitiços e às maldições?
Não tem onde caiba: eu te amo.”


Caetano Veloso.

quarta-feira, 25 de março de 2009


O ACASO E A NECESSIDADE

O poeta Ferreira Gullar disse e eu repito pra você, olho no olho:

“No fundo, a vida não passa de uma constante tensão entre acaso e necessidade.
Há quem nasça com talento para pintar, jogar futebol ou roubar. E há quem nasça com talento para fazer poemas. Sem a vocação, o sujeito não vai longe. Pode virar um excelente leitor ou crítico de poesia, mas nunca se transformará num poeta respeitável. Por outro lado, caso o sujeito tenha a vocação e não trabalhe duro, dificilmente produzirá um verso que preste. Se não estudar, se não batalhar pelo domínio da linguagem, acabará desperdiçando o talento. Converter a vocação em expressão demanda um esforço imenso. Tudo vai depender do equilíbrio entre o acaso e a necessidade. A vocação é acaso. A expressão é necessidade. Compreende a diferença?”

Creio que o amor entre os seres é também assim, um permanente desequilíbrio entre o acaso e a necessidade.
Quero dizer: o amor existe, de várias formas. Nós escolhemos quando e quanto e como exercê-lo. Porque querer ser amado quando não se oferta amor? Pois carência é acaso mas querer companhia é necessidade. Nós criamos bichos e plantas: uns para estar ao lado, outros para matar e comer. Fazemos o mesmo com humanos em nossas relações diárias: uns para usufruir, outros para manter.
Quem é mesmo que vai me dizer a régua das fronteiras e limites entre o mero desejo e o puro sentimento? Quem? Você?
Há mais coisas entre os céus e as terras do que sonha a nossa vil filosofia.
Qualquer dia eu desejo, amo, encontro vocês, sim? Qualquer dia desses.


marco/22.03.2009.

sexta-feira, 20 de março de 2009


ESSA COISA QUE CHAMAMOS DE AMOR

Você me olha: insiste em que eu fale de amor.
Te olho: prefiro dizer do amor.
Você quer que eu diga do nosso,
Eu insisto em falar de todos, os nossos inclusos.

É isso: se vocês todos pensam que tem um só amor, estão inteiramente equivocados.
Há mais amores do que sonham as nossas vãs ideologias.
E não se trata de traição ou descaso; mais do que essas bobagens cotidianas, quero mesmo é falar daquele amor que não descansa, sempre lívido e célere, carnal e místico.
Aquele amor que não desanda e, quando pára é para tomar fôlego. E quando segue é que necessita pódio. E quando ríspido quer temperança. E quando encarna o cão quer ser um anjo.

É isso! Quero somente falar do que sinto, afora do cinto de segurança do minto ou pressinto.
Mas não é totalmente bem isso: acho que o texto ia bem mas de repente pintou algum ranço no instinto. Não que eu não te ame, longe disso. Não, não precisamos de logoritmos desde o princípio; claro que não nem mais queremos diferenciar as folhas de parreira de eva e adão, ainda mais nesse final de verão, né?

Olha de novo: mas você insiste em falar de amor, né?
Olho de volta: então não se aclame ou sossegue, mon coeur, meu amor, meu bem, ma femme.

É com essa coisa, aquela, da qual a gente foge e persegue, com que você quer você brincar?
Aquele troço que nos alça como bailarinos, acima do olimpo. E depois nos faz resto do mais rés-do-chão do botequim mais pé sujo, do cais mais imundo, da mais fétida noção de futuro que possamos vislumbrar. E no entanto no dia seguinte ao torturo a alma e o corpo desgramados se ressuscitam feito afrodites e lázaros.
É com isso que você quer jogar? Então te digo: a máfia do amor é mais possante e poderosa do que a norteamericana ou siciliana. E geralmente, como no congresso nacional brasileiro, tudo acaba em pítiça.
Mas sendo assim, vá lá. Ou venha cá. Ou nem se mova, mãos ao alto que este mero escrevinhador vai falar:

Eu amo gentes de olhos claros e escuros; pessoas de ancas vastas e esguias; criaturas de todas as cores e estaturas.
Eu amo animais de crias e àqueles perdidos nas ruas; florestas fartas de águas e desertos plenos de secura.
Sou um vagalume, flanando entre o negrume e o radiante;
sou o giz feito carvão, sou na pérola negra o diamante;
e toda vez um risco, arriscando em esplendor ou escuridão.

Eu sou raro e comum como um animal em extinção
Eu sou efeito e fato feito o mineral e a radiação.
Eu amo o mundo como ele é
E a vida que prossiga
Além de mim e de você,
Nós que sabemos o que já fizemos
E que ninguém não mais nos diga ou siga.

Não vou discutir se riso é marfim
ou se choro é ébano.
Não estou afim.
Não estou nem aqui
há séculos.


marco/19.03.2009.

sábado, 14 de março de 2009


DEDICAÇÃO


Sabe,
uma coisa que eu queria dar um jeito de não poder parar de te falar é que eu te amo e que eu te amo e é que eu te amo e é que cansa demais isso assim e eu também até fico de saco cheio de ficar repetindo, mesmo assim na cópia do programa word windows.

Achou que é a pura verdade ou só jogada de marketing?

Posso dizer que teu olho é a coisa mais linda do mundo enquanto me olha e me vê em mim mas que é a coisa mais escrota do universo quando não nem se toca que eu te espero.
E eu te espero sempre. E eu sempre excreto algum filamento que devia deixar você ver o quanto eu te quero.

E aí? E, se na verdade, não seja melhor ficar só na memória, deixar na história uns contos de fadas e fodas simplórias e mais alguns ocasionais acontecimentos?
E aqui? E, se na mentira, não será melhor somente um dormente amor que feito um verme já se instalou dentro de nós e intestinamente nos comanda desde o café da manhã até o almoço e janta?

Existe isso, pode acreditar.

Sabe,
E se acontecer algo disso de assim do mesmo dito, assim desse previsto, algo assim conosco?
Então o que a gente faz alem de se olhar nos olhos, além do carinho, além do tesão, além do companheirismo, além de toda fé e da boa fé, da compreensão; e da dedicação, além do além do que a gente pode pensar que deu ou está cedendo ou conservando seu o que é do outro?

O que é que a gente faz com o que não é da gente e não é também do outro?

Com aquilo que é nosso?

Aquilo que alimentamos mas que na verdade não é nosso filho, sonho, sangue, desejo, promessa, pulso?

O que é que a gente faz com isso tudo, grande e imenso, mas que porém nos é avulso?

Eu me calo. Te pergunto.


marco/14.03.2009

quinta-feira, 12 de março de 2009


DIA OITO DE MARÇO

Você disse que eu deixei passar em branco o Dia Internacional da Mulher. Veja bem: não deixei passar nada: nem em branca, negra, amarela, vermelha, ou quaisquer mil escalas de cinza ou de fogo. Você, eu sei, me disse só para me provocar. Então tá! Vai aqui mais texto só pra te vangloriar:

Olha bem: o que eu posso falar de mulher, de mulheres?
Que as amo, respeito, desde ter muito peito às suas legítimas atitudes.
O que eu posso querer invejar mais da mulher além de eu ser um limitado homem?
Não posso gerar, parir, gozar dessa coisa única.
Não queria ser mulher, não, não é esse o caso. Mas como as invejo.
E como as perdôo, e como as idolatro e esculacho, sempre que preciso for.
E como as aturo, desde jovem e hoje maduro,
como as desejo e espero que sejam tão e mais superpoderosas.
E como as faturo em minha mente, não somente como índices de contas de crédito ou débito mas
como as quero levar à fartura de prazeres sem remédios!

Agora falando sério, como se antes não sério seria: Mulher é o máximo do bicho homem, ou melhor, o últimíssimo extrato do ser bicho humano – já disse outro dia: mesquinho e miserável – e é assim que foi e é e será a mulher: embora do mesmo gênero; tem outro grau, noção, sensibilidade, acuidade e até adivinhação.
Porque homem nunca é mãe ou irmã ou tia ou sogra, cunhada, nora, namorada, noiva, mulher.
Se é que me entendem.
Ser homem é só ser uma pesada pedra precisando colo.
De quem?

marco/11.03.2009

sexta-feira, 6 de março de 2009


CRISTAL E DIAMANTE

Às vezes uma imagem esconde vícios, de luz e sombras, de poses e posturas e artifícios outros e tantos que nem devo enumerar. Conheço todos. Comecei com um e depois outros e depois, quando menos pensamos, sabemos de todos; pensamos que sabemos. De tudo.
Mas tudo é um absoluto tão integral que nem o papo do gilberto gil sustém. Nem assim nem, nem. Nós que não somos mais nenéns sabemos que brincar com um ídolo como gil faz bem, sabemos também que brincar com fogo é querer queimadura e certas coisas escondem outras como a concha contém em si além da água e da areia também os ruídos do mar.
Às vezes uma imagem revela alegrias, de clarões e relâmpagos, de flexes e instantâneos, que não há velocidades de bólidos ou flechas que possam realmente nos esclarecer ou escurecer o que é que há realmente naquela imagem, que na verdade - [a verdade é que ela não existe] - quer se revelar. Ou se ocultar da luz. Ou se ascender do breu.
Mas a clarividência e a escurividência são coisas tão parceiras que eu nem sei mais porque eu estou falando sobre isso.
Deve ser o efeito do seu olho faceiro agindo com um seu específico jeito sobre mim.
Deve ser porque você me deu esta foto e não deu um completo retrato pra mim, seu.
Pode ser, é claro!
Pode ser, é escuro!
É certo e errado o que eu estou te dizendo pois vem de toda dúvida a certeza de que o amor não é um princípio nem um fim.
E muito menos um meio.
O amor é abstrato demais para você, para o gilberto gil e muito mais para mim também.
“mistério sempre há de pintar por aí’.
Às vezes uma imagem é tão crua que a gente quer curá-la.
Mas isso não basta.
Nada é bastante que valha distingüir entre diamante ou cristal.
O que vale é a luz.

Beijos e abraços, depois a gente se fala mais.


marco/06.03.2009.

quinta-feira, 5 de março de 2009


VAI VER QUE É ISSO

Nunca sei o que está começando ou acabando.
O fluxo é um bruxo que não me deixa,
não me deixa parar. Para entender.
Nunca sei o que será início ou o que estárá findo.
Sei quando falta paciência, sono, dinheiro, alegria;
sei quando acaba a noite, a bebida, o papel higiênico. Nunca
sei o que está acontecendo, mal sei a hora exata: tenho uns sete relógios marcando, macerando números desiguais: no celular, na cabeceira, nas telas da tv ou do micro, na parede da cozinha, no microndas.
Mas é preciso saber?
É preciso o saber?
O fluxo, se é o tempo, não é a vida. Se for a vida, então dá um tempo!
Senão me enforco de angústia e me esgano de agonia e me enfado de aceleração e me engasgo de esperança.
Olha só: cheguei à beira do fim do ancoradouro. Não há barcos. Mas há mar. Estou parado num extremo de trilha, de frente para o infinito. Posso nadar. Posso esperar uma condução. Posso. Posso esperançar.
Quero?
Não quero nem saber. Já disse pra você: não sou início, não sou fim. Talvez seja seu meio, quando você ilumina o ambiente e me dá pão e água e sexo e conselhos.
Uns eu vou urinar e descomer, outros eu vou esquecer e gozar.
Nunca sei o que está terminando ou principiando.
Vai ver que é porque não sou nem terminal nem príncipe. Vai ver.
Vai ver e depois me conta.
Sim?

marco/05.03.2009.

domingo, 1 de março de 2009


28.02.2009

Ainda bem que acabou. Já não agüentava mais o dia vinte e oito. De fevereiro. Às vezes é difícil tolerar um dia inteiro. E ainda mais um dia último de um mês que nem inteiro é. Conclusão: eis me aqui de saco cheio. Foram tantos telefonemas inúteis, tantos fonemas fúteis, sem nenhuma rima que preste!
Olha só: ‘eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades’, citando Cazuza. E mais nada. Só vejo lindos sonhos cobertos de trapos, perfeitas intenções curativadas com encruzilhadas de esparadrapos.
Ainda bem que acabou, já não agüentava mais esse dia que passou. Agora é primeiro, de março, nome de rua, data tão nobre que ninguém sabe nem porque virou endereço. Só quanto tem festa de aniversário da cidade do Rio de Janeiro.
E a vida segue, como sempre eu te digo. E a vida continua, ‘esse é um dito que todo mundo proclama/o consolo dos aflitos/e a desilusão de quem ama’,como cantou o Paulinho da Viola.
Mas falar de amor – esse luxo – a gente fala depois. Qualquer dia, quem sabe....


marco/01.03.2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009


CÓS E BAINHA

Mal e porcamente. Foi a expressão que me disseram.
Olha, cá pra nós, aceito bem o mal mas porcamente é demais pra mim.
O que é que se quis dizer com isso? Eu só perguntei: Como é que vai a vida?
Juro que pra mim é demais uma resposta assim tão negativa e suína.
Mal e porcamente?
Me deixe, me inclua fora dessa, me poupe, me diga que eu não ouvi!
Porque tamanha agressividade contra si mesmo?
E ainda mais é uma questão de higiene. E muito provavelmente de higiene mental.
Essa pessoa eu nem quero ver ou ouvir, tá me fazendo mal, tá me sujando os sentidos. Só quero quando estiver Bem e Limpamente.
Quando trouxer o bom bril e o detergente.
Creio que fico revoltado à tõa e inocentemente. Mas isso é coisa que se diga?
Cá para nós, o que é que tem a ver/haver
a sianinha com o retrós
ou a bainha com o cós?
Me deixe!
Me basta de anzol que eu não sou peixe.


marco/27.02.2009.
sexta-feira de cinzas.